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Entrevista com Lizzie Grey

Posted in London, Mötley Crüe, Slash on December 8, 2009 by attheodoro

Entrevista traduzida de: Full in Bloom Music

FIBM: Em que ano você fundou o Sister e como a banda se formou?

Lizzie: Eu não fundei o Sister. Blackie [Lawless] criou aquela banda anos antes de nos conhecermos. Eu só o convenci a revivê-la. Sempre fui um grande fã de Alice Cooper e o personagem que Blackie criou, comendo minhocas e fazendo um tipo de shock rock, atraía minha atenção. Eu tinha certeza de que havia um grande público para isso, nas ruas, querendo fazer parte também.

FIBM: Como conheceu Blackie Lawless?

Lizzie: No fim da minha adolescência, andando por Hollywood, no Starwood e no Rainbow, eu costumava vê-lo por lá. Não era difícil vê-lo, com aquele cabelo de Elvira enquanto o resto da cidade estava na máximo da onda glam, bilhando glitter. As garotas costumavam tirar sarro dele, mas eu ainda o achava cool e, de vez em quando, conversava com ele sobre rock ‘n’ roll. Foi mais ou menos em 1977 que começamos a formar o Sister.

FIBM: Como conheceu Nikki Sixx?

Lizzie: Blackie colocou um anúncio no Recycler por um baixista enquanto tentávamos formar o Sister e Frank Ferrana, recém chegado de Seattle, apareceu na casa do Blackie com a namorada Angie Saxon. Ela não calava a boca enquanto ele estava bem quieto durante todo o negócio. Ela ficava nos dizendo o que Frank queria e não queria fazer numa banda e nos tratava basicamente como se nós é que estivéssemos nos apresentando para ela! Blackie não gostou de nenhum dos dois, mas eu achei que Frank parecia o John Waite dos Babys e tinha potencial para se tornar uma estrela. Eu convenci Blackie a lhe dar uma chance. Logo, eu e Frank nos tornamos bons amigos.

FIBM: É um tanto engraçado como Blackie começou a expulsar membros de sua banda muito antes de expulsar todos os membros do WASP. Por quê ele mandou Nikki Sixx para fora da banda?

Lizzie: Nós fomos gravar uma demo e Blackie não ficou feliz com o resultado. Ele era meio mandão quando se tratava de gravar e achou que Frank não estava se adequando. Logo depois que ele o despediu, eu decidi que o problema era Blackie, não Frank. Passei na casa de Frank em Mansfield, onde ele morava com uma banda punk, os Vidiots, e perguntei se ele não queria formar uma banda bem glam e deixar Blackie no seu buraco. Nós decidimos pelo nome London e Frank mudou o seu para Nikki.

FIBM: O que Nikki levou de sua época no Sister para o Mötley Crüe?

Lizzie: Sabe, essa é a parte engraçada. Assim que Nikki começou a fazer barulho com o Mötley Crüe, ele jogou fora de repente toda aquela figura glam que o fez tão popular em Hollywood com o London, e vestiu a banda e o palco EXATAMENTE como nas fotos antigas do Sister. Caveiras, espinhos, pentagramas e muito fogo. Acho que Blackie realmente mexeu com Nikki quando o demitiu e esse foi o jeito de Nikki dar um cheque-mate nele.

FIBM: Como era o processo de composição com você, Blackie e Nikki?

Lizzie: Blackie escrevia suas próprias músicas e não aceitava influência externa. Eu e Nikki escrevemos algumas poucas coisas para colaborar, mas, na verdade, éramos que nem Blackie. Tinha muito ego rolando lá.

FIBM: Quem era o baterista do Sister?

Lizzie: Eu não consigo me lembrar do nome do baterista original que gravou a demo. A banda nunca tocou ao vivo.

FIBM: Você ainda tem as faixas que o Sister gravou? Onde gravaram a demo e essas músicas algum dia vão ser divulgadas?

Lizzie: Tenho certeza de que estão vagando pela terra do e-bay, mas eu não vi. Para falar a verdade, eu nem lembro quais músicas gravamos.

FIBM: Três lembranças de seus dias no Sister?

Lizzie: 1, beber vodka com coca toda noite no carro do Blackie. 2, ir ao Rainbow todas as noites. 3, trazer garotas do Rainbow para a casa do Blackie todas as noites… e uma vez, de ter quebrado um chicote dele na bunda de uma garota.

FIBM: Depois de Sister, você formou a primeira versão do London com Nikki. O que o fez deixar Blackie e formar outra banda?

Lizzie: Divergências musicais. Eu tinha uma forte influência do glam dos anos 70 e percebi que preferia compor e tocar melodias rápidas com um toque pop no estilo de The Sweet e Mott the Hoople a fazer parte de um espetáculo pseudo-Alice Cooper.

FIBM: Em que ano a London foi formada e por quanto tempo a versão original ficou junta?

Lizzie: Nikki e eu formamos a London no começo de 1978. A banda foi o centro do universo em Hollywood por pouco mais de um ano, até se despedaçar no fim de 1979 com a perda do vocalista Nigel Benjamin, que se juntou à banda após ser demitido do Mott the Hoople pós-Ian Hunter.

FIBM: A música “Public Enemy #1” foi escrita para a London. Na época, ela foi escrita por você e Nikki ou só por você? Quanto ela mudou ao ser lançada no “Too Fast for Love”?

Lizzie: Eu a escrevi, levei para a banda e se tornou a peça chave dos nossos shows. A versão que aparece em “Too Fast for Love” não é muito diferente da original, tirando os “Oh yeah” no refrão. Para ser honesto, eu fiquei meio mal quando a Leathur Records me deu só metade dos créditos da minha própria música. Eu não achei que a banda ou o álbum fariam muito sucesso, então não fiz nada. Quando descobri que a Elektra ia relançar o álbum, contatei imediatamente a gravadora e ameacei processá-la por direitos autorais. Logo depois, recebi uma ligação de Nikki, que me disse para aceitar as coisas como estavam ou ele tiraria a música do álbum. Eu decidi que minha situação financeira precisava mais daquilo que meu ego. O resto é história.

FIBM: O que você pensava sobre o Mötley Crüe daquela época? Houve algum momento em que percebeu que Nikki ia realmente deslanchar?

Lizzie: Quando os vi pela primeira vez, achei que estavam apenas continuando o glam de London com quatro membros e um baterista melhor. Quando começaram a ser levados a sério como heróis do heavy metal, eu estava mais do que surpreso com o efeito que eles tinham no público. Vai entender.

FIBM: Por favor, conte-nos alguma história envolvendo você, Nikki e as drogas.

Lizzie: Durante os anos de Starwood, bebíamos muita coca & rum e, quando tocávamos lá, “nevava” no backstage. Era os anos 70 e aquela era a droga do momento. Talvez minha melhor lembrança de Nikki com as drogas é dele vomitando regularmente atrás do amplificador enquanto estávamos no palco.

FIBM: A primeira versão do London gravou alguma coisa? Se sim, será lançado algum dia?

Lizzie: Quando Nigel Benjamin estava na banda, gravamos uma demo em Burbank. Três das músicas da demo, “Nobody Loves You Like I Do”, “Straight From the Heart” e “Dream Girl”, aparecem no álbum “London Daze” da Spiders & Snakes.

FIBM: 3 lembranças dos seus dias na versão original da banda.

Lizzie: 1, beber. 2, fazer festa. 3, transar.

FIBM: Como era trabalhar com Nikki Sixx?

Lizzie: 1, beber. 2, fazer festa.

FIBM: Como a vida de Nikki mudou quando ele estava na London ou, melhor, como era a percepção do público em relação a ele? 

Lizzie: Na London, eu e Nikki éramos como personagens de quadrinhos vivos, Heckel e Jeckel. Tínhamos muito mais em comum com os punks do que com heavy metal. A química no palco era elétrica, mas nem eu nem Nikki éramos heróis. Mesmo com o sucesso de Mötley Crüe, acho que as comparações entre ele e os baixistas “virtuosos” o incomodava. Eu nunca me importei com o que os elitistas diziam sobre as minhas habilidades. Se agrada aos fãs, está ótimo e você não é um roqueiro inferior por isso.

FIBM: Por quê Nikki deixou a banda?

Lizzie: Nós não conseguíamos encontrar um vocalista que pudesse ficar no lugar de Nigel. Ele era parte da química da London. Nós tínhamos melodias pops ótimas que simplesmente não funcionavam com um vocalista médio, não importa o quanto hairspray e maquiagem ele passasse.

FIBM: Quando Nikki saiu, Blackie mais uma vez se juntou a vocês. Por quê ele entrou e por quê a banda se separou depois?

Lizzie: Não há mistérios aí. Blackie estava cansado de ser um desconhecido, como qualquer um ficaria após anos e anos na cena underground. A London tinha um nome e Blackie queria fazer parte disso. Infelizmente, ele não conseguia seguir as melodias pops. Eu o disse que ele não servia para tocar pop, mas servia para um shock-rock à la Alice Cooper. Felizmente para ele, ele seguiu meu conselho e formou o WASP. Foi bom, porque ele era absolutamente horrendo na London.

FIBM: Quando Nikki e Blackie passaram a fazer sucesso, você notou alguma diferença neles? Quais?

Lizzie: Sim. Eles não queriam mais andar com ninguém que os fizesse lembrar da época em que não eram rock stars. Assim, Lizzie Grey era seu “inimigo número um” [“Public Enemy #1”], perdoem-me pelo trocadilho.

[…]

FIBM: Quando tempo Izzy Stradlin ficou na banda e por quê ele saiu?

Lizzie: Izzy não ficou o bastante para gravar o Nonstop Rock em 1986. Antes disso, ele e Nadir brigaram por alguma groupie e foi isso. Ele não ficou sem banda por muito tempo, no entanto, já que logo depois ele foi formar o Guns N’ Roses com Bill Bailey, Sol (que também tocou por pouco tempo no London), Duff e Steven Adler (que Brian West demitiu do London pouco antes de Izzy).

FIBM: Quanto tempo Slash ficou no London e como era trabalhar com ele? 

Lizzie: Como disse antes, Slash (eu o conhecia por Sol) ficou alguns meses apenas na London. Ele era alguém legal que amava o rock n’ roll. Eu toquei com ele algumas vezes em sua casa e achei seu estilo parecido com o de Joe Perry, do Aerosmith. Infelizmente, ele estava tendo problemas com seu equipamento na época e Nadir o mandou embora. Quanto à sua imagem de roqueiro louco, acho que é mais marketing do que qualquer outra coisa.

FIBM: Você alguma vez considerou Axl Rose para ser vocalista da London?

Lizzie: Sim. Como disse antes, eu queria que ele ficasse no lugar de John Ward, mas Izzy disse que era muito difícil trabalhar com ele. Quanta ironia.

[…]

FIBM: A versão de “Public Enemy #1” é a sua?

Lizzie: Sim.

[…]

FIBM: Você ainda mantém contato com Nikki e Blackie? Quando foi a última vez que falou com eles?

Lizzie: Eu encontrei Blackie há muitos anos quando a S&S abriu para o WASP, em Minneapolis. Foi um ótimo show com um público bem louco. Nós conversamos rapidamente, e ele me disse algo estranho. “Lizzie, é isso mesmo que você quer fazer da vida?”. Minha resposta foi “Sim, é por isso que estou aqui”.

FIBM: Você está surpreso com o sucesso da turnê atual do Mötley Crüe? Já perguntou ao Nikki por quê ele não ajuda a sua banda?

Lizzie: Eu não estou surpreso de que a nostalgia seja um fator importante na música hoje em dia. Não há tanta coisa nova lá fora. Quanto a Nikki, nos falamos por e-mail de vez em quanto. Ele ficou comovido com a minha aparição no Driven [programa do canal VH1] ano passado e me contatou. Eu estava só falando a verdade e fiquei um tanto emocionado quando as lembranças dos nossos últimos dias juntos na mesma banda vieram. A última vez que troquei e-mails com ele foi antes da turnê da qual você está falando. Ele não parece ter nenhum interesse em ajudar Lizzie Grey colocando a S&S para tocar com o Crüe. É como um verso de “Dream Girl”: “Todo mundo consegue, você só tem que tentar. Não precisa de nenhum estranho te dizendo por quê” [“Everybody makes it, you’ve only gotta try. You don’t need no stranger to tell you why”]. De fato.

Slash em turnê na América do Sul

Posted in Slash on December 8, 2009 by attheodoro

No dia 6 de dezembro, Slash postou no twitter que “a América do Sul é um destino certo” para sua turnê no ano que vem. “Prometo”, ele ainda escreve. A turnê mundial, que deve começar em abril, será realizada para promover seu álbum solo, que também deverá ser lançado por volta de março ou abril de 2010 e contará com muitas participações especiais. “De Ozzy a Fergie”, diz ele.