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Entrevista com: Pete Fry – Farcry

Posted in Farcry on June 3, 2009 by attheodoro

O site SleazeRoxx entrevistou o guitarrista Pete Fry, da banda Farcry, que lançou este ano seu debut album “High Gear”. Para ouvir algumas músicas, acesse o MySpace da banda.

 

 

Sleaze Roxx: Como o Farcry começou?

Pete Fry: John Kivel me achou no fórum do HeavyHarmonies.com, onde estavam falando das minhas demos antigas. JK conhecia a banda e perguntou se eu era o guitarrista e, se fosse, se eu gostaria de fazer um projeto com a sua gravadora. Como conheço a Kivel Records e possuo vários de seus produtos, eu fui rápido ao dizer sim. Depois de alguns meses a gente tinha juntado todos os nomes e partimos disso.

SR: Foi ele, também, que conseguiu que você tocasse com RocKarma?

Pete: Sim, isso aconteceu depois de termos começado a juntar o Farcry. Kivel queria usar uma música minha (“Bad June”) no álbum deles, “Bring It!”, e também queria que eu tocasse o solo. Depois de ouvir algumas músicas, eu me voluntariei.

SR: Você se considera um membro dessas bandas ou você as considera projetos?

Pete: Sou membro das duas bandas, claro. A intenção de Kivel era que o fosse uma banda de verdade, diferente dessa mentalidade de “projetos” que parece estar na moda esses dias. Já estamos trabalhando no material para um segundo álbum do Farcry. RoKarma está um pouco jogado por enquanto porque, mesmo sendo uma banda, é a banda de Damon Kelly e eu não tenho certeza de seus planos agora.

SR: Quão difícil é trabalhar nas músicas quando, especialmente no caso de RocKarma, os membros moram longe uns dos outros?

Pete: Por incrível que pareça, não é muito diferente de quanto eu estava em bandas que moravam na mesma casa. Eu sempre tive minhas idéias e depois as levava para o resto, ao invés desse negócio de sentar e compor junto. A Internet e o computador em geral são ótimos recursos para lançar as idéias e mandá-las por e-mail para os outros membros. Quando está na hora de tocar ao vivo, a gente se junta e ensaia que nem loucos!

SR: Poder mandar e receber idéias pela Internet provavelmente diminui as brigas internas, já que não fica todo mundo numa mesma sala o tempo todo.

Pete: Haha, isso é verdade! Também permite que você mande tudo já pronto, do jeito que você quer, ao invés de ter as idéias pela metade que acabam se bagunçando durante os ensaios.

SR: Eu percebi que você usou chamou compositores de fora no “High Gear”. O novo CD terá mais idéias suas?

Pete: Depende do quão produtivo você é, haha… Sério, esse é sempre meu objetivo, mas a maior prioridade é ter um álbum bom que tem tudo que a gente quer dentro. Se para isso tivermos que chamar algumas fontes criativas de fora, tudo bem. Eu já comecei a falar com Jace Pawlak sobre colaborar em algumas músicas. Eu gosto pra caramba das letras dele.

SR: Eu ia dizer, minha música preferida do CD é a de Jason Pawlak, “Fine Line”. Mesmo ele sendo de fora, você não acha que as letras dele combinam perfeitamente com a banda?

Pete: Eu acho! Ás vezes, quando você toca material de outras pessoas é difícil entrar no clima. O que Jace faz é tão bom que é quase impossível para mim não entrar no clima e tocar com tanto feeling quanto se fosse material meu.

SR: Quem teve a idéia de gravar “Nowhere Fast” de Jim Steinman? Porque a versão do Meat Loaf era uma porcaria.

Pete: Haha,foi 100% idéia do John Kivel e eu não tinha tanta certeza no começo, mesmo conhecendo bastante a versão do Fire Inc. da trilha de “Streets of Fire”, tendo visto o filme muitas vezes naquela época. Quando começamos a tocar direito, no entanto, eu adorei e acho que é uma das melhores música do álbum

SR: Tirando o tracklist bem confuso do CD “High Gear”, como você se sente com o resultado?

Pete: Haha,pois é. Esse era o tracklist original e infelizmente foi usado por engano quando foram imprimir o CD. Tirando isso, estou EXTREMAMENTE feliz com o produto final. Dentre os álbuns em que trabalhei, este é o que soa melhor e trabalhar com Ty Sims foi, de longe, a melhor experiência que já tive em se tratando de gravação.

SR: As músicas que já ouvi suas sempre têm aquela pontinha de rock melódico. Foi esse tipo de banda que te influenciou?

Pete: Sim, eu toco com o coração e, como resultado, nunca mudei meu estilo! Minhas maiores influências foram todos os clássicos dos anos 80, Ratt, Dokken, Dio, Stryper, Testla, Def Leppard, etc. Eu podia passar um tempão listando minhas influências, eu ouvia (e continuo ouvindo) muita música!

SR: Parece que esse estilo está meio que voltando, mas quão difícil é para uma banda mais nova como Farcry vender CDs e lotar casas de show?

Pete: Eu concordo e não poderia estar mais contente que mais pessoas estejam ouvindo isso. Minha única reclamação é que ainda leio muitos comentários dizendo que nada de bom está sendo lançado mais, e que a cena musical hoje em dia é horrível, etc. Acho que é mais como quando eu comecei a ouvir essas coisas, é mais uma coisa underground. Ninguém está vendendo milhões de álbuns mais, mas isso não significa que as pessoas não estejam fazendo álbuns bons. Em minha opinião, estão sim. O Farcry está se saindo muito bem nos padrões de hoje e é preciso de boa música, uma produção de qualidade e muito suor. Eu me vendo em todo lugar que posso. Shows podem ser mais difíceis porque temos que fazer um monte de decisões estratégicas de onde tocar e quando e se podemos cortar um pouco as despesas e talvez até ganhar dinheiro. É um negócio difícil, mas sempre foi assim!

SR: Eu percebi que você está presente em muitos fóruns, “se vendendo”, sendo acessível aos fãs e participando das discussões. Parece uma coisa tão simples para um músico fazer. Não são essas pequenas coisas que uma banda nova deve fazer para estar próxima do público?

Pete: Eu acho, especialmente se você não tem uma grande gravadora ou um orçamento enorme de marketing. Mas, de verdade, eu amo falar com os fãs porque, se você pensar, eu também sou um! Música é uma grande parte da minha vida e foi assim desde que eu tinha uns seis anos!

SR: Sendo um fã de música antes e agora tendo conhecido e tocado com alguns de seus ídolos, algum deles excedeu ou corrompeu sua imagem deles?

Pete: Eu diria que até agora nenhum corrompeu a imagem que eu tinha e acho até que todos eles excederam! É tão legal poder tocar no mesmo palco que esses caras, mas ainda mais legal poder conversar com eles e ver de onde eles vieram. Honestamente, eu vi mais “atitude rock star” nas bandas desconhecidas que tocavam com a gente antigamente!

SR: De que bandas você fez parte antigamente e há alguma chance de lançar algum material das antigas?

Pete: A única banda que lançou algo bom o bastante para ser pelo menos considerada foi a Shotgun Alli, com quem eu gravei uma demo de cinco músicas produzidas por Scott Metaxas. Foi minha primeira experiência como produtor de verdade e com resultados excelentes, acho. Não há muitas possibilidades daquilo ser lançado já que eu nem falo mais com os caras, a não ser o baterista da época. Além disso, parece que não temos mais os masters, mas nunca diga nunca, certo?

SR: A música hard rock sempre foi “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”. Você seguia isso?

Pete: Os anos 80 e começo dos 90 foram bem loucos e todos nós fizemos loucuras. Alguns passaram agradecidos para o outro lado. A música sempre foi MUITO importante, mas, não vou mentir: o estilo de vida também era uma prioridade…

SR: Tendo dito isto, qual foi o momento mais louco pelo qual você já passou com a banda (sem arranjar encrenca com sua esposa)?

Pete: Haha, sem problema. Ela sabe de muita coisa do meu passado. Provavelmente a coisa mais louca que eu consigo pensar agora, que não parece tão louca quanto pareceu na hora, foi quando o carro do outro guitarrista foi confiscado e nós invadimos o local e o roubamos de volta.

SR: De volta ao Farcry, a banda tem shows agendados?

Pete: Temos dois definidos e estamos negociando mais. Primeiro, vamos tocar no Dakota Rock Fest nos dias 24 e 25 de julho. Vai ser um fim de semana com bandas tipo Dokken, White Lion, April Wine, Head East, Skid Row, etc. Tocaremos na Sexta (dia 24). Também vamos tocar em Chicopee, MA dia 14 de agosto com Dokken e Tango Down (outra banda de Kivel). Por enquanto é isso que está confirmado, mas teremos mais.

SR: Há algum cronograma para o lançamento do próximo CD do Farcry?

Pete: Não temos nada certo e eu tenho medo de adivinhar baseado no nosso primeiro CD, que demorou dois anos, mas esperamos voltar ao estúdio antes do fim deste ano.

SR: para terminar… Quando sua carreira acabar, por que música você quer que as pessoas te lembrem? E qual você quer que desapareça?

Pete: Haha, ótima pergunta! Não acho que tenha escrito meu magnum opus ainda, mas fique ligado porque tenho alguns álbuns ainda dentro de mim. Talvez um pouco mais de alguns. Sobre a música que quero que desapareça eu sinceramente não posso dizer nenhuma. Não que sejam todas boas, mas elas todas mostram bem onde estava minha cabeça em tal momento.

 

Entrevista traduzida de: Sleaze Roxx